Capitulo 4... Aprender a andar, deixar de viver, começar a caminhar, sonhar sem pensar em conseqüências nem ao menos ter um limite para desejar. Isso era quando vivíamos (realmente), infância.


Aprender a andar, deixar de viver, começar a caminhar, sonhar sem pensar em conseqüências nem ao menos ter um limite para desejar. Isso era quando vivíamos (realmente), infância.


 


Barriga crescendo. Bebe se desenvolvendo, idas ao médico, desejos na madrugada, pés inchando, alarmes falsos, horas de trabalho de parto, dor, nascimento, alegria, (alivio), mais trabalho, amamentar, dar banho, trocar frauda, mamadeira, ouvir choro, ouvir berro, cólicas igual a acordar de madrugada, olheiras, muito cansaço, pai e mãe revezando, sorriso, primeiras palavras, gargalhadas. Tudo valeu a pena.


        A vida é engraçada, vejam aquelas crianças lá embaixo! Elas sim estão vivendo. Sem preocupações, sem pensar em estudar pro vestibular, sem pensar em pagar contas, sem pensar em como vão poder sustentar uma casa e a família. Eles têm apenas sonhos e desejos. Os garotos pensando em ser bombeiros, médicos, advogados, policiais e até em traficantes (infelizmente), sonham em ter carros, em ter aviões sem nem se preocupar o quanto isso será difícil.


        As meninas com suas bonecas, cozinhas, salões de belezas de brinquedo, todas sendo condicionadas a querer ser uma dona de casa e uma mãe de família sempre preocupada com a beleza. Mas penso que não poderia ser de outro jeito, mesmo sem esses brinquedos e mandamentos impostos pelos pais e pela tv e etc. Mesmo assim teriam o sonho de ter uma família, ter o seu filho. Mas há também aquelas que se imaginam, medicas, advogadas, policiais, sempre no topo, todas elas. Imaginam, sonham, desejam, sem medo, ou culpa, ou tristeza.


Nossa! Estou mesmo carente de companhia, de uma voz humana, de alguém pra conversar. Tanto que não consigo parar de falar sozinho. Não importa, pelo menos assim, não há ninguém para me censurar ou reprimir. Ninguém. Apenas eu mesmo. (como sempre).


        É, nós adultos sempre nos reprimimos, em relação ao que queremos, ao que desejamos ter. Dizemos: “vamos ser realistas”, “agir como adultos”, e assim às vezes não lutamos pela nossa utopia ou/e pela nossa felicidade. IDIOTAS QUE SOMOS! IDOTA QUE EU FUI!


Inútil gritar eu sei, pois nada vai me trazer o tempo perdido, os caminhos e escolhas que eu fiz. Nada. Mas preciso me recriminar, me libertar da dor, reconhecer todos os meus maus atos. Dor inútil que eu me fiz sentir.


        MAS ISSO NÃO VAI FAZER DIFERENÇA NENHUMA.


        MENTIRA! VOCÊ DIZ COMO SE NUNCA TIVESSEMOS VIVIDO!


        E VIVEMOS?? EM?


        SIM, NOSSOS MOMENTOS FORAM POUCOS, MAS INESQUECIVEIS!


        SIM, POUCOS, MAS PORQUE NÃO AGIAMOS NUNCA! CLAUDIA, SOFIA, OS UNICOS MOMENTOS EM LUTAMOS PELO NOSSO BEM!


  Lagrimas. Dor, solidão, desespero.


        Diga-me, por que de ser assim? DIGA!!!!


   Tosse, dor na garganta, peito, falta de ar. Dor no coração, na alma.


        Não sei porquê, não sei nem quem sou! Muito menos o motivo por ter me privado da minha própria vida. Talvez o medo. Ou indignação pelo modelo de vida que teria que seguir.


        Queria apenas ser criança outra vez, só isso.

 Somente naquela idade eu vivia inteiramente cada dia. Somente lá eu conseguia. Ser criança não dói, deixar de ser sim. Dói muito.

Comentários

  1. gostei do seu estilo. quer tc no msn?curto gothic metal, death e black metal e vc?me adcione ok. fui

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